quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Garoto certinho...

Paulista criado em Jundiaí, cidade do interior de São Paulo, Max Fercondini veio para o Rio aos 14 anos para estrear como ator na Globo. Amadureceu cedo, ao contrário de Conrado, seu personagem em ´Ciranda de pedra´, que só agora começa a ter noção de suas responsabilidades

Aos 23 anos, completados na semana passada, Max já se diz ´um velho´. Apesar da pouca idade, quase não fala gírias, gosta de jogar golfe e botou na cabeça que ainda vai comprar um avião. ´Sou meio velho para um monte de coisa´, admite Max, que está em sua sétima novela. Ele estreou na TV em 2000, em ´Esplendor´, já fez uma minissérie e também esteve em ´Malhação´.

´Cresci numa cidade do interior, onde os pudores são diferentes do Rio, que tem cultura de praia. Tive um choque cultural quando vim para cá, era tudo novo. Ser ator da Globo já foi uma coisa distante para mim´, lembra. Apesar do choque inicial, Max jura não ter se deslumbrado com a fama trazida pela profissão.

Irmão mais velho do também ator Jean Fercondini (que participou de ´Os Mutantes´, da Record), ele garante que o diálogo com os seus pais o ajudou a manter a cabeça no lugar. ´Tive valores familiares. Sou um cara certinho, só que isso é visto de maneira pejorativa´, lamenta. ´Eu analiso muito as coisas, sou virginiano e conheço todos os motivos por trás das decisões que tomo´. Por isso mesmo, Max não acha nada impossível comprar um avião. O ator, que tem licença para pilotar aeronaves privadas, tirou o brevê no ano passado, quando resolveu dedicar-se a uma atividade fora do seu ´universo de ator´.

Hoje, aluga uma aeronave de 15 em 15 dias para voar. ´As pessoas acham que comprar avião é um sonho, ou melhor, uma aquisição fora da realidade. Mas eu vou provar que não é´, garante Max, que já deu uma demonstração do potencial como piloto ao levar Paola Oliveira, que vive sua irmã na trama das 18h, para um vôo exibido no ´Domingão do Faustão´.

´Sobrevoamos o Cristo Redentor, bem perto das montanhas´, recorda o ator, que fala com empolgação legítima sobre sua paixão. Max virou queridinho do público ao interpretar Sérgio, o filho da megera Marta, vivida por Lilia Cabral em ´Páginas da vida´, de 2006. Ele reconhece a importância do papel, mas destaca também seu trabalho na minissérie ´Um só coração´, exibida em 2004.

´ ´Páginas da vida´ foi importante pela repercussão, mas a minissérie foi o trabalho que me fez acreditar no meu potencial como ator. O (diretor) Carlos Manga quis me ver na sala dele e começou a me elogiar de cima abaixo´.

Leveza

Hoje, Max assume encarar a profissão com mais leveza, apesar de manter a seriedade. ´Na minha novela anterior, ´Sete pecados´, eu tinha um papel menor (o taxista Aquiles), bem coadjuvante, mas me divertia com o elenco. Aliás, hoje em dia eu me divirto muito mais. Brinco que nem precisava receber o meu 13° salário´, exagera.

Max estudou cinema em Los Angeles, nos Estados Unidos, em 2005, e acredita que ainda não teve a chance de mostrar todas as suas vertentes como ator em novelas. ´A TV Globo não investe na minha veia cômica, mas sei que uma hora vou fazer alguma coisa nessa linha e vai dar certo´, garante. ´Procuro aproveitar meu momento estudando para corresponder às expectativas, mas também tenho vontade de fazer um vilão realista´.

Apesar de estar amadurecendo aos poucos, o assediado Conrado ainda enfrenta um momento de turbulência em ´Ciranda de pedra´. O filho do poderoso Cícero Cassini (Osmar Prado) finalmente parece ter tomado um rumo profissional depois de abrir uma oficina mecânica, mas ainda padece com os ciúmes que sente da ex, Virgínia (Tammy Di Calafiori), agora namorada do engenheiro Eduardo (Bruno Gagliasso).

´A morte da Julieta (Mônica Torres) desestabilizou a família e agora ele está sendo obrigado a crescer. Mas tem uma frase boa que resume bem o personagem: quando se acha que já sabe todas as respostas, a vida vem e muda as perguntas´.